sábado, 27 de setembro de 2008

O QUE DE MAIS IMPORTANTE EU FIZ NA VIDA !

Um dia, durante uma conversa entre advogados, fizeram-me uma pergunta: O que de mais importante você já fez na sua vida? A resposta me veio à mente na hora, mas não foi a que respondi, pois as circunstâncias não eram apropriadas. No papel de advogado da indústria do espetáculo, sabia que os assistentes queriam escutar anedotas sobre meu trabalho com as celebridades. Mas aqui vai a verdadeira, que surgiu das profundezas das minhas recordações: O mais importante que já fiz na minha vida, ocorreu em 08 de outubro de 1990. Comecei o dia jogando golfe com um ex-colega e amigo meu que há muito não via. Entre uma jogada e outra, conversávamos a respeito do que acontecia na vida de cada um. Ele me contava que sua esposa e ele acabavam de ter um bebê. Enquanto jogávamos, chegou o pai do meu amigo que, consternado, lhe diz que seu bebê tinha parado de respirare que fora levado para o hospital com urgência. No mesmo instante, meu amigo subiu no carro de seu pai e se foi. Por um momento fiquei onde estava, sem pensar nem mover-me, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer:Seguir meu amigo ao hospital ?Minha presença, disse a mim mesmo, não serviria de nada, pois a criança certamente está sob cuidados de médicos, enfermeiras, e nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação. Oferecer meu apoio moral ?Talvez, mas tanto ele quanto sua esposa vinham de famílias numerosas e sem dúvida estariam rodeados de amigos e familiares, que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários acontecesse o que acontecesse. A única coisa que eu faria indo até lá era atrapalhar.Decidi que mais tarde iria ver o meu amigo.Quando dei a partida no meu carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu carro aberto, com as chaves na ignição, estacionado junto às quadras de tênis.Decidi, então, fechar o carro e ir até o hospital entregar-lhe as chaves.Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares que consolava meu amigo e sua esposa.Entrei sem fazer ruído e fiquei junto à porta pensando o que deveria fazer.Não demorou muito e surgiu um médico, que aproximou-se do casal e em voz baixa comunicou o falecimento do bebê.Durante os instantes que ficaram abraçados - a mim pareceu uma eternidade – choravam, enquanto todos os demais ficaram ao redor daquele silêncio de dor.O médico perguntou-lhes se desejariam ficar alguns instantes com a criança.Meus amigos ficaram de pé e caminharam resignadamente até a porta.Ao ver-me ali, aquela mãe me abraçou e começou a chorar.Também meu amigo refugiou-se em meus braços e me disse:-“ Muito obrigado por estar aqui !Durante o resto da manhã fiquei sentado na sala de emergências do hospital vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços seu bebê,despedindo-se dele.Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida”. Aquela experiência deixou-me três lições:Primeira: o mais importante que fiz na vida ocorreu quando não havia absolutamente nada, nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos anos em que exercia a minha profissão,nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que eu deveria fazer, serviu-me para aquela circunstância: duas pessoas receberam uma desgraça e nada eu poderia fazer para remediar. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los. Isto era o principal.Segunda: estou convencido de que o mais importante que já fiz na minha vida esteve a ponto de não ocorrer, devido às coisas que aprendi na universidade, aos conceitos do racional que aplicava na minha vida pessoal assim como faço na profissional. Ao aprender a pensar, quase me esqueci de Sentir. Hoje, não tenho dúvida alguma de que devia ter subido naquele carro sem vacilar e acompanhar meu amigo ao hospital.Terceira: aprendi que a vida poder mudar em um instante. Intelectualmente todos nós sabemos disso, mas acreditamos que os infortúnios acontecem só com os outros. Assim fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro como algo tão real como se não houvesse espaços para outras ocorrências. Mas ao acordarmos de manhã, esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença, ou cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas podem alterar este futuro em um piscar de olhos. Para alguns é necessário viver uma tragédia para recolocar as coisas em perspectiva. Desde aquele dia busquei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja, compensa perder férias, romper um casamento ou passar um dia festivo longe da família. E aprendi que o mais importante na vida não é ganhar dinheiro, nem ascender socialmente, nem receber honras. O mais importante na vida é ter tempo para cultivar uma amizade. / AUTOR DESCONHECIDO